Nos últimos tempos, o discurso do Partido Africano da Independência de Cabo Verdemaior partido da oposição, tem sido marcado por uma crítica constante à governação atual do Movimento Para Democracia. Segundo o partido, o país está mal, o crescimento económico não é real e os dados apresentados pelo Governo não refletem a situação concreta das famílias.
Mas é aqui que surge uma pergunta simples e legítima: se o crescimento não existe, de onde vêm os recursos para as medidas recentemente implementadas por este governo?
Os novos PCFR que beneficiam professores, magistrados, médicos, enfermeiros e quadros da Polícia Judiciária não surgiram do nada. O aumento das pensões mínimas de velhice e invalidez para 9 mil escudos também não apareceu por geração espontânea ou um feitiço de magia. Não existe em Cabo Verde nenhuma máquina escondida a imprimir dinheiro. O Estado só distribui aquilo que consegue arrecadar ou financiar de forma sustentável. Convém olhar para os números. Em 2024, a economia cabo-verdiana registou um crescimento real do PIB na ordem dos 7 %, segundo dados de instituições internacionais. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego recuou para cerca de 8 %, traduzindo uma melhoria efetiva no mercado de trabalho face ao ano anterior.
Mais do que isso, Cabo Verde foi recentemente reclassificado pelo Banco Mundial como país de rendimento médio-alto, com base na evolução do rendimento nacional bruto per capita. Essa distinção não é atribuída por decisão política interna, mas sim com base em critérios técnicos internacionais comparáveis entre países. Pode haver debate sobre a distribuição do crescimento, mas é difícil sustentar que ele simplesmente não existe quando há reconhecimento externo nesse sentido.
A verdade é que estas medidas resultam de planeamento orçamental e de uma estratégia de gestão das finanças públicas. Sob a liderança do Primeiro-Ministro Ulisses Correia e Silva, e com o trabalho técnico do Ministro das Finanças Olavo Correia, o Governo tem apresentado resultados macroeconómicos que, concorde-se ou não com o ritmo, mostram recuperação após crises sucessivas como a pandemia e os choques internacionais.
É legítimo que a oposição fiscalize. Democracia vive de escrutínio. Mas contestar todos os indicadores sem apresentar alternativas concretas fragiliza o debate público. Se os dados de crescimento são falsos, então que se explique, com números e fontes, onde está o erro. Se as políticas são inadequadas, que se apresentem propostas detalhadas e sustentáveis.
Criticar é fácil. Governar exige responsabilidade, escolhas difíceis e contas certas. O aumento das pensões mínimas pode ser visto como um símbolo. Para muitos idosos, 9 mil escudos não é luxo, é dignidade básica. E medidas como essa só são possíveis quando existe algum equilíbrio financeiro.
A questão central não é se o país enfrenta desafios, porque enfrenta. O custo de vida pesa. O desemprego preocupa. As desigualdades persistem. O ponto é outro: o discurso político deve ser sustentado por seriedade e visão estratégica.
Rúben Traquino
Cabo Verde precisa de uma oposição forte, mas também precisa de propostas credíveis. Prometer tudo a todos sem explicar como financiar é alimentar ilusões.
A confiança dos cabo-verdianos constrói-se com liderança estável, resultados mensuráveis e políticas sustentáveis. O debate deve elevar-se acima da retórica e focar-se em soluções concretas para o futuro do país.