LA MAGNA II 

Adoto uma postura mais equânime possível, porque o que venho a relatar é somente o Prefácio do Futuro. Não pretendo apresentar conjecturas ou idealizações, mas sim apontar de forma lúcida o que, inevitavelmente, acontecerá no seu tempo devido. O que se sabe é que a tudo é exigido diplomacia, paz e ordem. 

Nada do que aqui se afirma emerge do campo abstrato ou quimérico. Esta reflexão não é uma construção teórica desligada da realidade, mas fruto direto da práxis, da observação crítica dos processos históricos e da experiência concreta dos povos. É a partir do real – e apenas dele – que se pode falar seriamente do futuro. 

Cite um único país bom que o comunismo construiu? 

A teoria socialista permanece como uma das mais engenhosas tentativas intelectuais de organização económico-social já concebidas. Seu arcabouço analítico é sofisticado, sua crítica ao capital é profunda e sua promessa de justiça social é sedutora. Mas, quanto ao desenvolvimento real, linear e prático da sociedade esta teoria deixa muito a desejar, porque não consegue prevalecer de forma etérea, como pode se ver nos casos dos países que o adotaram: Zimbabwe de Robert Mugabe, Correia do Norte de Kim Jong-Un, URSS de Stalin e muitos outros que adotaram e adotam esta tese ideológica que, foram, e são, Estados autoritários, economicamente fragilizados e socialmente asfixiantes. Não se trata de demonizar uma teoria, mas de reconhecer um dado histórico essencial: nenhuma ideia, por mais brilhante, sobrevive quando ignora a complexidade humana. 

Agora, afiliar-se a um partido político jamais deveria transformar o outro em inimigo. Isso só torna uma oportunidade de elevação intelectual coletiva. O verdadeiro atraso instala-se quando se abandona o confronto de ideias e se passa ao ataque pessoal. 

E, enquanto, um único povo não poderemos mais adotar esta postura. O que deveremos fazer adiante é unir mentes, sendo os partidos que se encontrem na oposição adotar a postura, única e exclusivamente, de fiscalizador dos projetos e atuações atuais do partido no governo, e não um mero sabotador. Porque o maior prejudicado será o povo que tanto dizemos e orgulhamos em representar. 

Seria uma grande indigência mental não reconhecer os grandes pensadores e atuantes dos outros partidos. Mas, que fique claro é reconhecer e ter respeito aos que de forma simbólica contribuíram para o desenvolvimento do país e não os que de forma continua pretendem separar e retroceder as conquistas. Porque se aproveitam da figura de Cabral, mas poucos entendem realmente o que representava. A pessoa que tende a cindir a população, não merece citar o nome tão honrado quanto Cabral. Estando apenas usufruindo do resquício do partido originário. 

Já tivemos a independência de 75, a democracia de 91. E num futuro próximo e nas mãos dos jovens de hoje estaremos rumos ao terceiro marco. Ela exigirá uma redefinição profunda da nossa posição no mundo, da nossa relação com África e da nossa autopercepção enquanto povo. 

O inimigo comum não tem rosto, nem partido. É tudo aquilo que impede Kabu Verdi de se tornar uma potência decisória, económica e estratégica, em diálogo profundo com o continente africano e com relevância global. 

A maturidade nacional exige a capacidade de reconhecer que nem tudo o que vem do nosso campo político é virtuoso, assim como nem tudo o que vem do outro é nocivo. O progresso nasce da capacidade de selecionar criticamente o melhor do conhecimento acumulado, independentemente da sua origem partidária. 

Porém, não significa ignorar as diferenças em suas múltiplas dimensões, significa encontrar na diversidade, os pontos de confluência que possibilite a unidade. 

Somos filhos do CHRISTUS, Haile Selassie I e de Cabral 

Terá de ter um ponto bem esclarecido. Não há continente mais rico do que o Africano. Detém cerca de 30% das reservas minerais conhecidas do planeta, além de vastas reservas de ouro, diamantes, petróleo, gás natural, cobalto, platina, cobre e urânio. Possui biodiversidade incomparável, solos férteis, florestas extensas e alguns dos maiores sistemas fluviais do mundo. 

O paradoxo africano não é a escassez, mas a gestão histórica da abundância. Se potências externas exploram essas riquezas para nos subjugar, por que nós, africanos – e cabo-verdianos em particular – não as utilizamos estrategicamente para o nosso próprio desenvolvimento? 

Persistimos no impulso quase que automático de migrar para a Europa e as Américas, mesmo quando somos recebidos com tarifas, barreiras e racismo explícito. Ignoramos, paradoxalmente, que temos livre acesso ao continente -mãe. 

Ao aceitar funções laborais, de baixo escalão nos países centrais, reforçamos uma narrativa silenciosa: a de que ainda não rompemos com as correntes mentais da colonização. 

A pergunta é dura, mas necessária: acreditamos que somos intelectualmente inferiores aos nossos irmãos africanos? ou somos reféns de um masoquismo histórico que nos empurra para onde não somos desejados? 

Uma nova rota 

Cabo-verdianos possuem capacidades intelectuais e disciplina para ocupar cargos de destaque na África, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades e do continente, com salários dignos e qualidade de vida. O escudo cabo-verdiano tem peso suficiente para garantir estabilidade inicial em muitos países africanos, permitindo uma transição segura até a inserção profissional. 

As Américas são dos americanos, a Europa dos europeus. Iremos lá para estudar, viajar e trocar experiências. Mas, as nossas bases devem ser fortalecidas em África. Por que gastar fortunas em países que nos rejeitam, quando a mesma quantia pode assegurar maior estabilidade socioeconómica no nosso continente? 

O futuro exige uma postura nova: indelével, frugal e estratégica, orientada pelo longo prazo. Kabu Verdi deverá aprimorar ainda mais. O terceiro marco não será dado por acaso; será conquistado por uma geração que decidiu mudar a rota, investir na unidade e confiar na sua própria grandeza. 

Com isto termino dizendo, 

Deus connosco e Kabu Verdi no topo!