A economia cabo-verdiana tem apresentado uma tendência ascendente desde 2015 até à presente data, influenciada por diversas medidas do atual Governo. Se, anteriormente, a nossa economia crescia de forma tímida, hoje o cenário é completamente diferente.
O último relatório da agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) elevou o rating de Cabo Verde de B para B+, impulsionado principalmente pelo aumento exponencial da procura turística e pelo crescimento das remessas dos emigrantes. Ultrapassámos um milhão de turistas por ano, provenientes maioritariamente do Reino Unido, Itália e Espanha. Este aumento contribuiu significativamente para a posição fiscal do país, permitindo ao Estado arrecadar mais impostos e financiar melhor as suas despesas. Por exemplo, a S&P prevê que haja excedentes primários do Governo Geral nos próximos anos, o que reduzirá o rácio da dívida em relação ao PIB, estimado em 105,5% em 2025.
Prevê-se um crescimento médio do PIB real per capita de 4,3% entre 2026 e 2029, valores superiores aos de diversos países. A dívida pública de Cabo Verde é, na sua maioria, concessionária, ou seja, de baixo juro e com longo prazo de amortização. O constante crescimento da economia visa reduzir progressivamente este risco.
Segundo os World Development Indicators do Banco Mundial, a economia cresceu, em média simples anual, 3,7% entre 2015 e 2025, incluindo a grande recessão de 2020, com um decréscimo de −20,8% provocado pela pandemia de COVID‑19, e a subsequente recuperação de 15,8%. Isto significa que, caso não tivesse ocorrido a pandemia, estaríamos ainda mais consolidados. Mesmo assim, os números demonstram que conseguimos relançar a economia e promover uma rápida recuperação. Segundo as projeções para 2026, o FMI prevê um crescimento de 4,8%, o Banco de Cabo Verde 5,3% e o AfDB estima um crescimento real de 4,9%, dependendo, contudo, da dinâmica do turismo, principal motor da economia.
Contudo, o crescimento económico não serve apenas para pagar dívidas ou procurar novo endividamento, mas sim para tomar decisões que impactem diretamente a vida das pessoas. Assim, relembra-nos da importância das políticas distributivas, que visam atribuir riqueza aos cidadãos e promover o bem-estar coletivo. É fruto deste crescimento que temos assistido a sucessivos aumentos salariais: o salário mínimo no setor público passou de 11 mil CVE para 19 mil CVE, enquanto no setor privado passou para 17 mil CVE. O salário médio também aumentou, beneficiando diversas classes profissionais, incluindo saúde, segurança e educação. Para além disso, o Governo prevê que, em 2027, o salário mínimo alcance 25 mil CVE, valores mais justos face ao aumento significativo do custo de vida. A pensão social para não contribuintes aumentou para 7 mil CVE.
Podemos afirmar também que o RSI – Rendimento Social de Inclusão, montante atribuído pelo Estado às famílias mais vulneráveis, se enquadra na relação causa-efeito do crescimento económico. O RSI, uma política pública redistributiva por excelência, insere-se no objetivo do Governo de erradicar a pobreza extrema até 2026, através do Fundo Mais. Uma das suas operações – a arrecadação ou pagamento aos serviços hoteleiros e a transferência para o Fundo, com gestão da entidade gestora – permite a transferência direta para as contas das famílias beneficiadas, oferecendo-lhes mais recursos e possibilitando, a médio prazo, a superação da pobreza extrema.
Hoje, temos também mais bolsas de estudo, por exemplo, 1.692 novos bolseiros no ano académico 2025/2026, totalizando 4.100 estudantes universitários beneficiados por bolsas do Governo. O financiamento de formações profissionais, também assegurado pelo Governo, beneficia milhares de jovens em todos os concelhos, poupando inúmeras famílias. O objetivo não é apenas obter certificados, mas proporcionar competências e condições para que os jovens sejam senhores dos seus destinos, com autonomia, dignidade e oportunidade.
Assim, inequivocamente, o crescimento económico tem refletido na melhoria da qualidade de vida dos cabo-verdianos. Contudo, isso não significa que tudo esteja consolidado; pelo contrário, o caminho é árduo e exige constância por parte de quem governa e colaboração de todos nós. Como disse John F. Kennedy: “Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela.” Aqui, a lógica deve ser a mesma: se cada um fizer a sua parte, certamente o país dará passos mais largos e, no final do dia, todos sairemos a ganhar.
A minha tese é que Cabo Verde deve investir, por um lado, na descentralização da oferta turística, permitindo levar o turismo às outras ilhas. O turismo tem efeito transversal na economia, beneficiando operadores das outras ilhas que dizem ser esquecidas, embora congratulo o fato da ilha de São Vicente, pelo Upgrade na sua oferta turística.
Na área da energia, Cabo Verde continua vulnerável a fatores externos, como a volatilidade do preço do petróleo Brent, o que impacta a inflação da eletricidade. Como solução, sugiro um investimento massivo nas transições energéticas, com menor custo de produção, evitando impactos da inflação importada e reduzindo a pressão sobre as divisas no balanço de pagamentos. Isto tornaria a eletricidade mais barata para quem consume e para a produção em geral, visto que, a eletricidade é essencial para quase toda que produz. As ideias são muitas, mas por agora fico aqui.