Direita ou esquerda: como organizar um país?

Sempre que participo em debates informais sobre o percurso do nosso país, sobretudo com grupo de jovens, surge inevitamelmente a mesma questão: “Em que partido devo igressar?”, “Quem é o melhor político?” ou “O que determinado líder fez ou pretende fazer?”.

Embora estas sejam perguntas legítimas, muitas vezes percebo que a discussão permanece à superfície. Poucos procuram compreender aquilo que verdadeiramente orienta a ação politica: as ideias, os valores e principios que sustentam as decisões dos governantes. Em vez de analisarem as bases ideológicas dos partidos e dos seus líderes, muitos limitam-se às promessas eleitorais ou à popularidade momentânea de determinadas figuras públicas.

A politica é, por natureza, uma das mais nobres formas de participação cívica. É através dela que se definem os rumos de uma nação, se estabelecem prioridades e se criam soluções para os desafios coletivos.

Por esssa razão, acredito que o apoio a um partido ou a um político não deve basear-se apenas em discursos de campanha ou em promessas circustânciais. Antes de escolhermos quem nos representa, devemos procurar compreender a sua visão de sociedade, os seus valores fundamentais e a forma como encara o papel do Estado, da economia e das liberdades individuais. É essa matriz ideológica que, em última instância, orientará as suas decisões quando confrontado com problemas reais e situações complexas.

Neste contexto, o debate entre direita e esquerda assume uma importância central. Longe de ser uma mera disputa partidária, trata-se de uma discussão sobre diferentes formas de organizar a sociedade e de responder aos desafios nacionais. As correntes de direita e de esquerda apresentam visões distintas sobre questões como a intervenção do Estado na economia, a redistribuição da riqueza, as políticas sociais, a segurança, a educação e o desenvolvimento.

Uma democracia forte não se constrói apenas com votos, mas sim com cidadãos informados, críticos e conscientes. E talvez seja precisamente aí que começa a verdadeira participação política: não na escolha de uma figura, mas na compreensão das ideias que moldam o futuro de um país.

Em Kabu Verdi temos as politicas de centro – direita e de centro – esquerda e  a adoção de qualquer politica extremista seria um declinio enorme no avanço continuo do país ao longo desses anos. No país, até então, os partidos de centro – direita são o MPD e UCID; e os de centro – esquerda são os do PAICV, PTS e PP.

E a afirmação de Paulo Guedes (Economista e ex-ministro da economia brasileira, eleito o melhor ministro da economia da América Latina em 2019) de que “o que explica a recuperação do Japão é a educação e o capital institucional. Isso trás tecnologia, modernização. Essa experiência Japonesa se reproduz na Correia do Sul, enquanto isso a Correia do Norte vai para o caminho da miséria.”

O leitor poderá perguntar qual destas correntes de pensamento considero a mais adequada. Poderia responder a essa questão, mas fazê-lo seria, inevitavelmente, uma demonstração de preferência pessoal. Mais importante do que indicar um caminho é incentivar cada pessoa a percorrer o seu próprio percurso intelectual. O verdadeiro desenvolvimento pessoal não nasce da aceitação passiva de uma única fonte de informação, mas da capacidade de pesquisar, comparar ideias, questionar pressupostos e formar conclusões fundamentadas.

Vivemos numa época em que muitos ainda subestimam o valor do autodidata. No entanto, quem aprende por iniciativa própria desenvolve competências que vão muito além da aquisição de conhecimentos: aprende a investigar, a distinguir factos de opiniões, a verificar a credibilidade das fontes e a construir um pensamento crítico. Essa é uma das maiores riquezas que uma sociedade pode cultivar.

O conhecimento é a ferramenta mais poderosa para libertar e elevar um indivíduo. Como afirmou John F. Kennedy no seu discurso de tomada de posse, em 20 de Janeiro de 1961: “Não pergunteis o que o vosso país pode fazer por vós; perguntai o que podeis fazer pelo vosso país.” Esta frase recorda-nos que o progresso de uma nação depende da iniciativa, da responsabilidade e da preparação dos seus cidadãos.

Quem procura conhecimento deixa de caminhar às cegas. Passa a compreender melhor o mundo, a tomar decisões mais conscientes e a identificar oportunidades onde antes via apenas obstáculos. Nunca foi tão fácil aprender: hoje, praticamente toda a informação está disponível à distancia de um clique. O verdadeiro desafio já não é encontrar informação, mas saber selecioná-la, analisá-la criticamente e transformá-la em conhecimento útil.

Se Cabo Verde pretende alcançar um novo patamar de desenvolvimento, é fundamental estudar as experiências de países que conseguiram transformar as suas economias e as suas instituições. Conhecer as políticas que impulsionaram o crescimento, bem como os erros que cometeram, permite evitar falhas semelhantes e adaptar soluções à realidade Kabu-verdiana. Aprender com quem já percorreu esse caminho reduz custos, acelera o progresso e aumenta as probabilidades de sucesso na concretização da visão de um Kabu Verdi no Topo.

É igualmente enriquecedor conhecer diferentes correntes de pensamento económico e político. Estudar autores como Ludwig Von Mises e John Maynard Keynes permite compreender visões distintas sobre o papel do Estado, dos mercados e da economia. Da mesma forma, analisar a evolução de países como Singapura, o Reino Unido sob as lideranças de Wiston Churchill e Margaret Thatcher, os Estados Unidos durante a presidência de Ronald Reagan, ou ainda os modelos desenvolvidos pela Suécia, Dinamarca e Noruega, oferece perspetivas valiosas sobre diferentes caminhos para a prosperidade.

Nenhum destes desenvolvimentos deve ser seguido de forma cega. O verdadeiro objetivo é compreender as razões do seu sucesso, reconhecer as suas limitações e retirar ensinamentos que possam ser adaptados à realidade Kabu-verdiana. O conhecimento não é uma coleção de respostas prontas, mas sim a capacidade de fazer melhores perguntas e encontrar soluções adequadas aos desafios do presente.

Dios ku nós y Kabu Verdi no topo!